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	<title>Arquivos Relacionamento de cuidado - IBDPAC | Instituto Brasileiro de Direito do Paciente</title>
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	<title>Arquivos Relacionamento de cuidado - IBDPAC | Instituto Brasileiro de Direito do Paciente</title>
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		<title>Responsabilidade Parental e a ÉTica do Cuidado em Saúde da Criança e do Adolescente</title>
		<link>https://ibdpac.com.br/responsabilidade-parental-e-a-etica-do-cuidado-em-saude-da-crianca-e-do-adolescente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Kalline Eler]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Apr 2023 20:04:23 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Crianças como atores centrais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Kalline Eler Tradicionalmente, as crianças são vistas como pessoas vulneráveis em virtude da sua imaturidade intelectual, física, emocional e social. Assim, a fim de garantir a proteção da criança, a lei reconhece que os pais estão na melhor posição para garantir o seu bem-estar e reafirma sua autoridade para educar, disciplinar e cuidar dos seus [&#8230;]</p>
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<p>Kalline Eler</p>



<p>Tradicionalmente, as crianças são vistas como pessoas vulneráveis em virtude da sua imaturidade intelectual, física, emocional e social. Assim, a fim de garantir a proteção da criança, a lei reconhece que os pais estão na melhor posição para garantir o seu bem-estar e reafirma sua autoridade para educar, disciplinar e cuidar dos seus filhos.</p>



<p>Embora esse seja o curso natural, observa-se, contemporaneamente, que a responsabilidade parental tem sido equivocadamente interpretada como sendo a exigência de que os pais assegurem para a criança uma vida perfeita. De modo bastante limitado, essa vida perfeita é compreendida em termos de educação de qualidade para garantir um bom emprego, uma condição de saúde completamente livre de doenças e relacionamentos sempre felizes.</p>



<p>Para alcançar esses objetivos e transformar a criança em um adulto bem-sucedido, os pais se valem de quaisquer instrumentos disponíveis, desde manuais e consultores sobre os mais variados temas da infância até aparelhos tecnológicos para monitorar os passos, a rotina e a saúde dos seus filhos.</p>



<p>A ênfase desmedida na necessidade de segurança e de proteção da criança e a visão do papel quase determinante dos pais no futuro dos filhos têm aumentado a pressão para que eles façam tudo o que puderem a fim de produzirem a melhor criança. Nesse contexto de excessos de cuidados e de supervisão, os pais têm sido apelidados de “pais helicópteros”, pois se sentem no dever de solucionar todos os problemas dos filhos e de protegê-los dos possíveis e imagináveis perigos.&nbsp;&nbsp;Entretanto, esse comportamento tem sido bastante prejudicial à saúde, especialmente, a saúde mental dos adolescentes.</p>



<p>Algumas pesquisas já demonstraram que os estudantes cujos pais tinham essas características (os chamados “pais-helicóptero”) tinham menos bem-estar psicológico e mais propensão a tomar medicamentos receitados para ansiedade e depressão (TWENGE, 2020).&nbsp;Nota-se que a proteção excessiva,&nbsp;&nbsp;além de prejudicar a confiança do adolescente, aumenta sua vulnerabilidade.<em><u></u></em></p>



<p>Assim, é preciso urgentemente repensar a relação de parentalidade; encará-la, primeiramente, não como uma performance, um projeto para os pais se sentirem orgulhosos, mas como um relacionamento real de cuidado, cheio de surpresas e de aprendizados recíprocos.&nbsp;Um pai ou uma mãe que não está aberto para aprender com seu filho e que pensa que tem sua vida resolvida está se privando de viver muitas das alegrias que o relacionamento com a criança pode proporcionar: o maravilhamento, a espontaneidade, o brincar, a emoção de ver, sentir, e tocar em algo pela primeira vez, o viver o tempo presente. É um erro tremendo&nbsp;não estar aberto à mudança; não aprender com as crianças e não perceber que as coisas que normalmente são consideradas importantes para os adultos (carreira, status, dinheiro), na verdade, não são prioridades para uma criança.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Tratando-se de uma relação de cuidado, mister reconhecer que não apenas a criança encontra-se na condição de vulnerável, mas igualmente seus pais. A vulnerabilidade é uma condição ontológica do ser humano que, sendo um ser relacional, encontra-se inevitavelmente suscetível ao dano e ao sofrimento. Porque somos vulneráveis, o cuidado é essencial para nossa sobrevivência, sendo o aspecto moralmente mais valioso do ser humano (HERRING, 2016).</p>



<p>Principalmente no âmbito da saúde, o verdadeiro cuidado é aquele que busca satisfazer os interesses do outro e para isso a sua perspectiva é devidamente considerada. O cuidado responsivo respeita as peculiaridades e busca as novidades que o outro tem a oferecer; encontra formas de trabalhar em conjunto e de unir as forças. Não se trata de criar no outro aquilo que queremos que ele seja, mas descobrir nele algo novo (HERRING, 2022).</p>



<p>No que tange ao cuidado em saúde da criança, o reconhecimento da sua vulnerabilidade e da sua necessidade de proteção não pode anular seu papel de ator central nos seus cuidados. Assim, é preciso descobrir com o que as crianças se importam, permitindo que elas desfrutem daquilo que tem mais valor para si. Cuidar, portanto, é descobrir o que preocupa o outro e ajudá-lo a florescer nesse ambiente.</p>



<p>Em suma, os melhores interesses da criança na saúde não serão alcançados ignorando ou minando a contribuição que as próprias crianças são capazes de fazer em prol do seu bem-estar. Ao contrário, devem ser definidos com a participação das suas perspectivas tão singulares (ELER, 2020).</p>



<p></p>



<p>Referências:</p>



<p>ELER, Kalline.&nbsp;<strong><em>Capacidade jurídica da criança e do adolescente na saúde</em></strong>. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2020.</p>



<p>HERRING, Jonathan. Pre-natal testing, excessive parenting and care ethics,&nbsp;<strong><em>The New Bioethics</em></strong>, 2022.</p>



<p>________.&nbsp;<strong><em>Vulnerable adults and the law</em></strong>. Oxford Universit Press, 2016</p>



<p>TWENGE, Jean M. IGen:&nbsp;<strong><em>Por que as crianças superconectadas estão crescendo menos rebeldes, mais tolerantes, menos felizes &#8211; e completamente despreparadas para a vida adulta</em></strong>, 1 ed. São Paulo, 2018</p>
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