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	<title>Arquivos autonomia médica - IBDPAC | Instituto Brasileiro de Direito do Paciente</title>
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	<title>Arquivos autonomia médica - IBDPAC | Instituto Brasileiro de Direito do Paciente</title>
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		<title>Limite da “autonomia médica”: respeito ao direito do paciente ao cuidado em saúde seguro</title>
		<link>https://ibdpac.com.br/limite-da-autonomia-medica-respeito-ao-direito-do-paciente-ao-cuidado-em-saude-seguro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Aline Albuquerque]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 Oct 2021 14:39:32 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[autonomia médica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A autonomia profissional dos médicos faz parte de um conjunto de requisitos éticos da prestação de cuidados em saúde e do adequado funcionamento dos sistemas de saúde.</p>
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<p>Aline Albuquerque</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;A autonomia profissional dos médicos faz parte de um conjunto de requisitos éticos da prestação de cuidados em saúde e do adequado funcionamento dos sistemas de saúde. A autonomia profissional significa que os médicos se comprometem com a realização de julgamentos profissionais de modo a contribuir para a tomada de decisão que melhor atenda às necessidades, vontade e preferências dos pacientes. Além disso, a autonomia profissional exige que os médicos promovam o bem-estar dos pacientes e garantam o interesse coletivo. Isso requer que se responsabilizem pelo compromisso com a prestação de cuidados em saúde de qualidade, em conjunto com outros atores dos sistemas de saúde.<sup>[1]</sup>&nbsp;</p>



<p>&nbsp;Segundo McAndrew, a autonomia profissional do médico consiste em sua capacidade de realizar escolhas de determinado curso de ação, com base em tratamentos e procedimentos que, do ponto de vista das evidências científicas, correspondem ao melhor cuidado&nbsp;para o paciente. A autonomia profissional do médico, notadamente em face de pressões externas, como as de instituições de saúde, de planos privados de saúde e da indústria farmacêutica, é essencial para que o paciente confie no profissional e a sociedade, como um todo, na prática da medicina.<sup>[2]</sup>&nbsp;</p>



<p>&nbsp;A autonomia profissional do médico é fundamental para a provisão de cuidados em saúde de qualidade aos pacientes e se justifica, tão somente, quando a escolha do curso de ação tem como balizamento as melhores evidências científicas. Desse modo, a autonomia profissional do médico tem como limite o respeito ao direito ao cuidado em saúde seguro.&nbsp;O direito do paciente ao cuidado em saúde seguro decorre do direito à saúde, tendo em conta que a qualidade é um dos elementos do direito à saúde e a segurança é um componente da qualidade. Dessa forma, extrai-se dos comandos atinentes ao direito à saúde que a realização de tal direito implica assegurar a segurança em todos os níveis de cuidado, bem como em relação a medicamentos e insumos de saúde. Com efeito, o paciente tem o direito de que medidas preventivas dos danos evitáveis decorrentes dos cuidados em saúde sejam adotadas, principalmente as direcionadas a evitar danos que possam conduzir à sua morte<sup>[3]</sup>.&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;Assim, não há como desvincular a autonomia profissional do médico da segurança do paciente. Essa segurança, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), consiste num referencial que envolve atividades organizadas que criam culturas, processos, procedimentos, comportamentos, tecnologias e ambientes em saúde que, consistente e sustentavelmente, reduzem riscos e a ocorrência de danos evitáveis, ao mesmo tempo que tornam o erro menos provável e mitigam seu impacto quando ele ocorre.<sup>[4]</sup>&nbsp;</p>



<p>Autonomia profissional do médico e segurança do paciente, assim, caminham juntos, porquanto essa autonomia apenas pode ser exercida quando se amolda aos ditames da segurança do paciente.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A autonomia profissional do médico apenas se justifica, portanto, quando tem como finalidade a realização de escolhas que digam respeito ao cuidado em saúde seguro para o paciente. Logo, os médicos não são livres para fazer o que bem entenderem. A autonomia profissional é concedida aos médicos pela sociedade para que exerçam a sua profissão com o objetivo de prestar cuidados em saúde de qualidade A autonomia profissional do médico é um valor socialmente construído para assegurar cuidados em saúde que não acarretem danos para o paciente e, eventualmente, a sua morte. &nbsp;&nbsp;</p>



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<p><sup>[1]</sup>&nbsp;DOCTOR OF BC.&nbsp;Professional Autonomy. Disponível em:&nbsp;https://www.doctorsofbc.ca/sites/default/files/professional_autonomy_policy_statement_final.pdf. Acesso em: 20 out. 2021.&nbsp;</p>



<p><sup>[2]</sup>&nbsp;MCANDREW, Stephen. Physician Autonomy.&nbsp;Disponível em:&nbsp;https://blogs.bmj.com/medical-ethics/2019/01/23/physician-autonomy/. Acesso em: 20 out. 2021.&nbsp;</p>



<p><sup>[3]</sup>&nbsp;ALBUQUERQUE, Aline. A Segurança do Paciente à luz do Referencial dos Direitos Humanos.&nbsp;<em>Revista de Direito Sanitário</em>, v. 17, n. 2, p.117-137, 2016.&nbsp;</p>



<p><sup>[4]</sup>&nbsp;WORLD HEALHT ORGANIZATION. Patient Safety. Disponível em:&nbsp;https://www.who.int/teams/integrated-health-services/patient-safety/about. Acesso em: 20 out. 2021.</p>
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