BIOÉTICA DO CUIDADO EM SAÚDE: UMA ÉTICA PRÁTICA PARA AS ORGANIZAÇÕES DE SAÚDE

BIOÉTICA DO CUIDADO EM SAÚDE: UMA ÉTICA PRÁTICA PARA AS ORGANIZAÇÕES DE SAÚDE

Atualmente, na esfera da saúde, muito se fala sobre liderança engajada, inteligência artificial, cocriação, inovação e outros temas, mas pouco se discute sobre ética. A ética dos sistemas e das organizações de saúde não é subjetiva, de cada líder, gestor ou profissional; além disso, não se pode conceber tecnologias de saúde sem um arcabouço ético. Seres humanos são morais por definição desde os primórdios do Homo sapiens no planeta Terra; comportamentos sempre foram julgados como errados ou certos, e aqueles que violavam as regras sofriam consequências. A moral, que é um fenômeno humano, estabelece comportamentos para que possamos perpetuar a espécie de forma cooperativa, evitando causar mal aos outros e promovendo comportamentos pró-sociais, como os de ajuda e cuidado. A Ética pode ser entendida como o estudo da moralidade, preconizando teorias e padrões desejáveis de comportamento, e a Ética Aplicada, da qual a Bioética faz parte, tem como objetivo influenciar a realidade, alterando crenças, valores e, consequentemente, culturas e comportamentos.

Assim, todos nós atuamos conforme padrões de moralidade, e a Bioética lança luz sobre esses padrões na esfera da saúde, para que os sistemas, as organizações e os profissionais de saúde sejam guiados por uma ética objetiva, fruto do progresso moral da humanidade. É fato que os sistemas de saúde estão em crise, como se evidencia pelos elevados números de eventos adversos e pelas condições de saúde mental dos profissionais de saúde. Ainda, os sistemas de saúde, cada vez mais, serão sobrecarregados pelo aumento das doenças crónicas não transmissíveis e pelo envelhecimento das populações, e apostar apenas em mais tecnologia não é suficiente, porque o processo de adoecimento é psicossocial e espiritual; máquinas não dão conta da complexidade desse processo.

Desse modo, os sistemas de saúde precisam de uma revolução ética, fundamentada na Bioética do Cuidado em Saúde, que se estruture em três eixos: centralidade do paciente no cuidado e a sua participação ativa; a importância de se valorizar a relação entre paciente-profissional; reconhecimento de que o profissional cuida do paciente, não apena assiste, cocria ou algo semelhante; e que a empatia é um componente central do cuidado. Esses eixos são, do ponto de vista da linguagem ética, valores. Assim, precisamos cultivar valores nos sistemas de saúde e na formação dos profissionais, que, para além de habilidades técnicas, necessitam compreender a sua prática num enquadramento mais amplo, isto é, ético.

Portanto, uma Bioética para a prática clínica não pode deixar de lado o propósito de existência dos sistemas e das organizações de saúde, bem como a atuação dos profissionais, isto é, o cuidado. Por isso, precisamos de uma Bioética do Cuidado em Saúde, de modo que, enquanto sociedade, possamos responder à crise dos sistemas de saúde, não apenas com mais tecnologia ou respostas gerenciais, mas, principalmente, por meio de uma transformação ética alicerçada em valores inegociáveis.

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Pioneirismo em soluções para garantia dos direitos dos pacientes

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