Centro de Empatia no Cuidado em Saúde do Brasil

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Filiado à Rede Global de Empatia no Cuidado em Saúde
The Global Empathy in Healthcare Network

A Rede Global de Empatia no Cuidado em Saúde, com Centros em mais de 7 países, ao redor do globo e em variados continentes, foi concebida pelo Professor Jeremy Howick, Diretor do The Stoneygate Centre for Empathic Healthcare. O Centro de Empatia no Cuidado em Saúde, no Brasil, tem como objetivo desenvolver boas práticas e pesquisas, ofertar capacitações e promover iniciativas de disseminação relativas à empatia no cuidado em saúde, visando contribuir para que a empatia seja reconhecida como um componente fundamental do Cuidado Centrado no Paciente, da provisão de cuidados de qualidade e da melhoria dos resultados clínicos, nos serviços de saúde e na formação dos profissionais.

O Centro de Empatia no Cuidado em Saúde do Brasil congrega pesquisadores e profissionais de variadas áreas do conhecimento, portanto, constitui um grupo interdisciplinar.

Particularmente, o Centro de Empatia no Cuidado em Saúde do Brasil tem como foco as correlações entre Empatia, Bioética e Direito do Paciente, buscando aprofundar a função moral da empatia e a sua importância para a implementação dos direitos do paciente, bem como o papel de tais direitos na dimensão da ação da empatia clínica, isto é, a sua importância para a adoção de comportamentos pró-paciente.

O Centro de Empatia no Cuidado em Saúde do Brasil pretende ser um catalizador da empatia no país e da promoção de uma nova cultura nos cuidados em saúde, baseada na parceria entre profissional e paciente, e no endosso da centralidade do paciente em seu cuidado.

Temáticas do Centro

Interlocuções entre Bioética e Função Moral da Empatia Clínica

Esta temática parte do pressuposto de que demonstrar que as questões em torno da moralidade da empatia importam para o cotidiano dos cuidados em saúde, notadamente para a implementação de uma cultura de respeito à centralidade e à participação do paciente, bem como dos direitos dos pacientes.

Por outro lado, importante reconhecer que o papel moral da empatia clínica no julgamento e na motivação apresenta significativas controvérsias, que refletem aquelas presentes na literatura sobre empatia e moralidade, em geral.

Desse modo, sustenta-se uma posição intermediária, ou seja, de que a empatia clínica possui um relevante papel moral nos cuidados em saúde, no entanto, não é suficiente para balizar o comportamento ético dos profissionais de saúde, haja vista, que a empatia não é sempre o melhor guia para comportamentos morais, haja vista que gera preferências sociais e favoritismos.

Assim, a despeito da empatia associar-se a comportamentos pró-sociais, uma teoria ética compreensiva requer a adoção de princípios ou outros construtos prescritivos. Com efeito, a empatia clínica não é por si só suficiente para que os profissionais respeitem o paciente como um agente da sua saúde e sua vida, bem como atuem com vistas a empoderá-lo nesse sentido.

O papel do Direito do Paciente na Empatia Clínica

Para evitar que a empatia clínica se associe a comportamentos paternalistas, os direitos dos pacientes devem estar conjugados com as respostas terapêuticas que os profissionais de saúde dão, ao checarem o seu entendimento acerca dos estados mentais e perspectiva do paciente.

Portanto, a linguagem dos direitos dos pacientes deve modular o comportamento do profissional, ao lhe atribuir obrigações morais e jurídicas, e conferir poder de agência ao paciente.

A empatia clínica, em seu componente ativo, não pode estar desconectada do empoderamento do paciente e de seus direitos, de modo a evitar que se torne uma ferramenta para escamotear o poder do profissional, até porque a empatia clínica tem como premissa o entendimento do profissional, o qual pode modificar os aportes trazidos pelo paciente ou desconsiderá-los no processo de tomada de decisão.

A Empatia Clínica na promoção e efetivação dos direitos do paciente

A empatia clínica, para além dos benefícios aludidos e da sua função em abordagens específicas nos cuidados em saúde, tem o papel de concorrer para a efetivação do Direito do Paciente no cotidiano da prática clínica e se articula com os seus fundamentos teóricos.

Os estudos sobre as correlações entre empatia clínica e direitos dos pacientes são escassos. Pode-se atribuir tal escassez ao fato de que a construção teórica em torno do Direito do Paciente ainda ser incipiente e de que a empatia clínica é um tema estranho aos pesquisadores da área do Direito.

Empatia Clínica nos cuidados neonatais

O paciente criança, em especial o recém-nascido, tem vulnerabilidade acrescida. É essencial que as capacidades evolutivas da infância sejam do conhecimento de todos os profissionais da saúde e que os direitos da criança, durante os cuidados em saúde, sejam respeitados.

Nesse sentido, o cuidado de qualidade e seguro é um direito do paciente e sua participação no seu cuidado deve ser apoiada e incentivada.

Na prática isto não acontece e a criança, independentemente da idade e do nível de cuidado, tem suas percepções, valores e sentimentos subvalorizados ou nem mesmo levados em consideração, ficando à margem do cuidado, e não como protagonista deste. Esta prática a invalida enquanto pessoa e, como paciente.

É necessária uma mudança estrutural, intrínseca, e de forma sustentada, para que estas práticas sejam modificadas, em prol do cuidado mais humano e justo oferecido ao paciente pediátrico.

Assim, um cuidado centrado no paciente, que preza e entende a perspectiva do recém-nascido, de forma compassiva e entendendo a sua realidade, ou seja, um cuidado empático, deve ser a meta e os profissionais devem envidar todos os esforços para o alcance desta meta. Iniciei meus estudos sobre empatia com foco na neonatologia, dada as particularidades do recém-nascido, que é totalmente dependente do seu cuidador.

Quem somos

International Supervisor

Jeremy Howick

Professor de Cuidado em Saúde Empático e Diretor do Centro Stoneygate de Cuidado em Saúde Empático.

Principal

Aline Albuquerque

Bioeticista. Pesquisadora Visitante do Programa de Empatia da Universidade de Oxford. Pós-Doutorado em Direitos Humanos do Paciente na Universidade de Essex. Professora da Pós-Graduação em Bioética da Universidade de Brasília. Diretora do Instituto Brasileiro de Direito do Paciente. Coordenadora-Geral do Observatório Direitos dos Pacientes do Programa de Pós-Graduação em Bioética da UnB.
alineaoliveira@hotmail.com

Cristina Ortiz Sobrinho
Valete

Pediatra, especialista e com vasta experiência em neonatologia e terapia intensiva pediátrica. Possui doutorado em Saúde Coletiva e concluiu pós-doutorado pelo programa de Bioética da UnB em 2024, com estudo sobre empatia clínica no cuidado neonatal. Atualmente, é professora do Departamento de Medicina da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), da área de Saúde da Criança e do Programa de Pós-graduação em Gestão da Clínica – PPGGC. É vice-coordenadora do Programa de Residência Médica em Pediatria da UFSCar.
cristina.ortiz@ufscar.br
cristina.ortiz@ufscar.br

Membros Permanentes

Cláudia Matias

Psicóloga. Gerente Qualidade Hospital Vera Cruz Campinas. Especialista em Experiência do Paciente e MBA Executivo em Saúde pela FGV.; Diretora do Instituto Brasileiro de Direito do Paciente. Membro do Conselho Deliberativo da Sociedade Brasileira de Experiência do Paciente, da Associação Voluntários da Saúde e da Sociedade Brasileira de Segurança do Paciente.

Nelma Melgaço

Advogada. Mestre em Bioética pela Universidade de Brasília. Diretora do Instituto Brasileiro de Direito IBDPAC. Coordenadora da Pós-graduação em Direito do Paciente do IBDPAC. Especialista em Bioética RedLatino Americana e do Caribe de Bioética da Unesco, Argentina. Membro do Observatório de Direitos dos Pacientes UnB. Membro do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos /Centro Universitário de Brasília. Membro do Comitê de Bioética Hospitalar do Hospital de Apoio de Brasília/DF.

Pesquisadores Associados

Felipe Rocha

Médico com Título Superior em Anestesiologia pela Sociedade Brasileira de Anestesiologia. Mestrando em Bioética pela Universidade de Brasília. Pós-graduação lato sensu em Cuidados ao Paciente com Dor pelo Hospital Sírio-Libanês e em Anestesia Cardiovascular e Torácica pela Universidade de Taubaté. Atua em hospitais da rede pública e privada do Distrito Federal na área de cuidados em saúde de pacientes adultos e pediátricos.

Isabella de Melo Rodrigues
Franco

Graduanda de Medicina na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Membro do grupo de pesquisa Núcleo de Estudos de Epidemiologia Aplicada à Saúde Perinatal e Pediátrica.

Maria Clara Alves Pilati

Graduanda de Medicina na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Membro do grupo de pesquisa Núcleo de Estudos de Epidemiologia Aplicada à Saúde Perinatal e Pediátrica. Atuou como Presidente da Liga Acadêmica de Especialidades Pediátricas da UFSCar. Realizou Iniciação Científica com bolsa CNPq “Mensuração da empatia dos profissionais de saúde na assistência neonatal no alojamento conjunto da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Carlos.

Documentos importantes

A Declaração de Empatia de Leicester: um modelo para implementar a empatia no cuidado em saúde
Declaração

Reconhecendo que o cuidado em saúde informado pela empatia é essencial para o bem-estar dos profissionais de saúde e dos pacientes, declaramos que todos os Cursos de medicina e de enfermagem e todos os sistemas de saúde devem adotar políticas e procedimentos para abordar e implementar o treinamento em empatia e compaixão por si e pelos outros.

Metas

Para pacientes: Altos níveis consistentes de cuidado empático.

Para profissionais: Treinamento e suporte formal de empatia inspirador e baseado em evidências, incluindo revalidação quando isso for viável.

Para sistemas: Condições do local de trabalho que incluam liderança empática, bem como espaços psicológicos e físicos que facilitem relacionamentos empáticos.

Metas propostas para cinco anos

A Rede visa atingir as dez metas a seguir em cinco anos:

  1.  Defender a instituição de Centros de Empatia em todas as nações, especialmente em nações em desenvolvimento e outras onde não existam atualmente.
  2. Apoiar os centros existentes de cuidado em saúde empático.
  3. Organizar treinamento e ensino com métodos eficientes e baseados em evidências para que os profissionais ofereçam níveis consistentemente altos de empatia.
  4. Refinar, testar e avaliar estruturas para criar sistemas de saúde que promovam a empatia.
  5. Aumentar a conscientização entre profissionais de saúde, gerentes e
    líderes sobre os benefícios da empatia para pacientes, profissionais e
    equipes.
  6. Reduzir os danos causados ​​pela falta de empatia.
  7. Melhorar os resultados de saúde do paciente por meio do aprimoramento da empatia.
  8. Melhorar o bem-estar do profissional por meio do aprimoramento da empatia.
  9. Promover a colaboração internacional de programas para a pesquisa sobre empatia por meio de agências nacionais, regionais e internacionais e em parceria com grupos de defesa de pacientes e profissionais.
  10. Estabelecer contato e desenvolver a iniciativa “Humanidade, empatia e autonomia” da Organização Mundial da Saúde.

Mais importante, a Rede está comprometida em organizar um simpósio internacional que inclua membros e Centros adicionais, garantindo uma representação que reflita a população global.

Publicações

Livros

O primeiro livro sobre empatia no cuidem saúde do Brasil foi fruto da pesquisa desenvolvida por Aline Albuquerque no Programa de Empatia da Universidade de Oxford, coordenado pelo Prof. Jeremy Howick.

Pesquisas de Mestrado e Doutorado

Doutorado

Construção e validação de cartilha sobre cuidado empático no contexto dos cuidados paliativos – Mariana Menezes, Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Bioética da UnB.

Mestrado

A empatia clínica como eixo estrutura da Bioética do Cuidado em Saúde – Felipe Rocha – Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Bioética da UnB.

Capacitação

Workshop em Empatia Clínica

O Workshop tem como objetivos:

Objetivo geral: capacitar profissionais de saúde visando ao incremento da sua capacidade empática na interação com o paciente e ao aprimoramento da reflexão sobre questões éticas emergentes dos cuidados em saúde.

Objetivos específicos:

(1) Explanar a definição de empatia e suas dimensões cognitiva e emocionais, bem como criar espaço seguro para que os participantes possam vivenciar interações empáticas entre si.

(2) Explicar o conceito de empatia clínica, seus componentes e benefícios para pacientes, profissionais e hospitais.

(3) Desenvolver a capacidade de tomada de perspectiva dos profissionais de saúde em relação a pacientes em contextos decisionais eticamente complexos.

(4) Apresentar reflexão sobre a função moral da empatia clínica e da sua importância para a solução de conflitos e questões bioéticas.

(5) Desenvolver competências empáticas para a compreensão de questões éticas na ambiência da prática clínica.

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Fotos: Arquivo IBDPAC (divulgação)

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