Martha Mills, uma menina de 13 anos, do Reino Unido, faleceu em 2021, em decorrência de uma sepse, que poderia ter sido evitada caso ela tivesse sido transferida oportunamente da enfermaria para os cuidados intensivos. Um dos motivos pelos quais isso não aconteceu foi a assimetria de poder entre os pais de Martha e a equipe de profissionais. As preocupações da mãe de Martha, Merope Mills, não foram escutadas pelos profissionais. Desde então, Merope Mills tem promovido uma ampla campanha no Reino Unido pela divulgação e aprovação da Regra de Martha, que consiste num sistema de escalonamento rápido de resposta, dentro de um hospital, em caso de suspeita de agravamento do estado geral ou de preocupação séria em relação a um paciente, de modo que outro profissional se desloque para verificar a condição do paciente e analise o seu estado. A Regra de Martha é uma decorrência do direito à segunda opinião dos pacientes e familiares. Várias experiências com Equipes de Respostas Rápidas, pelo mundo, têm demonstrado que evitam mortes, contribuindo para a segurança do paciente, e que não são utilizadas de forma inadequada pelos pacientes e familiares, bem como não acarretam mais custos para os hospitais. O Instituto Brasileiro de Direito do Paciente (IBDPAC) apresenta este Relatório que traz embasamento para se dar início a um movimento no Brasil pelo reconhecimento do direito à segunda opinião dos pacientes e familiares, em situações críticas, enquanto um mecanismo de garantia de direitos e de segurança do paciente. Espera-se que este tema ganhe espaço e os hospitais, no país, adotem sistemas de Equipe de Respostas Rápidas, lançando luz sobre os impactos nefastos da assimetria de poder e da mitigação da voz de pacientes e familiares na segurança do paciente e no respeito de seus direitos. O IBDPAC está certo de que este Relatório, inédito em nosso país, é um material de grande valor para todos aqueles que estão engajados na melhoria da qualidade dos cuidados em saúde e na prevenção de mortes evitáveis. Boa leitura! IBDPAC.