Setembro vai terminando com inúmeras reflexões, eventos e marcos relacionados à melhoria na saúde. É um mês que naturalmente nos convida a falar sobre Segurança do Paciente e sobre o compromisso permanente com um cuidado cada vez mais seguro.
Em 2026 essa temática ganha um significado ainda mais especial. A promulgação do Estatuto dos Direitos do Paciente em abril trouxe um novo marco jurídico, fortalecendo relações de cuidado baseadas no respeito aos direitos, na informação, na promoção de autonomia e, sobretudo, na parceria entre pacientes, familiares e profissionais de saúde.
Quando falamos em Segurança do Paciente, o cuidado centrado no paciente ocupa um lugar essencial. O Plano de Ação Global para a Segurança do Paciente 2021–2030, da Organização Mundial da Saúde, reforça a importância do envolvimento de pacientes e famílias e da valorização de sua voz como parte das estratégias para tornar o cuidado mais seguro.
E talvez seja justamente essa uma das reflexões mais importantes que setembro pode nos deixar: estamos realmente ouvindo a voz do paciente?
Promover a autonomia significa reconhecer que o paciente — ou seu representante — não é apenas alguém que recebe o cuidado. É parceiro e sujeito de direitos na relação e no encontro clínico. Sua experiência, suas dúvidas, suas escolhas, seus valores e suas necessidades precisam fazer parte das decisões relacionadas ao seu cuidado.
Neste ano, em que as discussões do Dia Mundial da Segurança do Paciente também nos convidam a olhar para as doenças não transmissíveis, podemos pensar em várias iniciativas para qualificar a assistência. E aqui vai um convite especial: que possamos cada dia mais avaliar sobre como criamos espaços para que a voz do paciente seja verdadeiramente ouvida.
Dar voz ao paciente também contribui para reduzir a assimetria historicamente presente nas relações de cuidado. Isso não significa estabelecer confronto ou retirar do profissional sua responsabilidade técnica e seu papel essencial. Significa buscar maior equilíbrio, fortalecer a confiança e construir relações baseadas em diálogo, informação, respeito e decisão compartilhada.
Protocolos, documentos, guidelines, regulamentações, metas internacionais de segurança e tantas outras diretrizes são fundamentais e precisam ser continuamente fortalecidos. Mas não podemos nos esquecer de quem está no centro de todas elas.
O paciente — ou seu representante — precisa ser reconhecido como participante ativo do cuidado. Não apenas para o cumprimento de uma exigência normativa, mas pela convicção de que relações baseadas no diálogo, na compreensão e na parceria podem transformar a experiência e contribuir para um cuidado mais seguro.
Especialmente diante da vulnerabilidade que acompanha o adoecimento, talvez um dos nossos maiores compromissos seja justamente este: construir um cuidado no qual segurança, conhecimento, direitos e voz do paciente caminhem juntos.
Referências
BRASIL. Lei 15.378, de 6 de abril de 2026. Estatuto dos Direitos do Paciente. Disponível em: https://www.in.gov.br/web/dou/-/lei-n-15.378-de-6-de-abril-de-2026-697689521
WHO. Global Patient Safety Action Plan 2021-2030. 3 aug. 2021. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789240032705.